Tatuagem: moda, arte ou cultura?

Por Kátia Saraiva*

Se pensarmos em moda, podemos entender a tatuagem como algo que faz o sujeito se sentir parte de um grupo. Esse sentimento de pertencer gera uma sensação de segurança, pois reduz significativamente o sentimento de solidão. “Parecendo” com os outros, pode se sentir menos só, pertencendo, sendo aceito. Fazendo o que está na moda, a igualdade prevalece. Com a vantagem de oferecer alguma peculiaridade que o diferencia dos demais. Por que ainda que todo mundo esteja tatuado, nem todo mundo tem a mesma tatuagem e ainda que, por ventura, tenha a mesma, poderá estar numa parte do corpo diferente. Assim, ‘sou igual, pertenço, mas sem perder a minha individualidade’.

A tatuagem sob o ponto de vista artístico, traz em si beleza, talento, expressão e um significado que transcende qualquer modismo. Envolve o tatuador – neste caso um artista que usa a pele como tela ou folha em branco – e o tatuado. O admirador e o, digamos assim, experimentador da arte. Como objeto artístico, poderá ser mais ou menos valorizada, dependendo da criatividade, estética, seriedade e habilidade de quem “risca”, além da escolha individualizada do tatuado, que certamente vai interferir no resultado final, ainda que minimamente…

E culturalmente falando, a tatuagem apresenta o significado intrínseco de uma época, de uma sociedade. E como tal, vai influenciar na construção da auto estima e auxiliar para que a pessoa se sinta significante. Além de que, tatuar o corpo parece ser uma prática bastante primitiva. Há notícias de um cadáver com mais de 5 mil anos encontrado congelado e preservado nos Alpes e que está num museu na Itália. Assim, parece natural que na memória genética todos tenhamos registros dessas práticas, ainda que não se saiba exatamente para quê eram feitas.

Porém, embora o ato de marcar os corpos perpasse questões sociais, culturais, de moda, – entre outras tantas   – o significado da tatuagem é absolutamente pessoal, individual e, para cada tatuado, traz uma história, um sistema de valores pessoais com os quais o tatuado se identifica. Pode ser um grito, um desabafo, uma contestação, uma lembrança, um amuleto, um momento. A importância da frase ou desenho escolhido é absolutamente pessoal. Cada desenho traz implícito ou explícito um significado dele mesmo, mas além disso tem o significado a ele atribuído. E como tal, vai conferir ao tatuado uma identidade. Única e intransferível. Uma identidade construída na pele. Literalmente.

*Kátia Saraiva é Psicóloga, especialista em Psicologia Transpessoal, Psicologia Organizacional e do Trabalho, Coordenadora de Grupos de Desenvolvimento Pessoal, Life e Professional Coach, Mestre em Educação.

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